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Culpa: quando assumir responsabilidade por tudo começa a fazer mal

Foto do escritor: Sabrina Ramos Maurer
Sabrina Ramos Maurer
há 10 horas
3 min de leitura

Sentir culpa pode ser importante.

A culpa pode nos levar a reconhecer um erro, reparar uma atitude e considerar o impacto que nossas ações tiveram sobre outras pessoas.

O problema aparece quando a culpa deixa de estar relacionada a uma responsabilidade real e passa a acompanhar quase todas as decisões.

Você descansa e se sente culpada.

Diz não e se sente culpada.

Escolhe algo para si e se sente culpada.

Coloca um limite e começa a questionar se foi egoísta.

Nesse caso, talvez seja importante investigar o que está por trás dessa culpa.

Culpa não significa necessariamente que você fez algo errado

Esse é um ponto fundamental.

Uma emoção é uma experiência interna. Ela não funciona como um veredito sobre a realidade.

Sentir culpa não prova que você é culpada.

Da mesma forma, sentir ansiedade não prova que existe perigo.

A pergunta pode ser:

“Existe realmente algo pelo qual eu sou responsável ou estou interpretando a situação dessa maneira?”

A responsabilidade pode ficar grande demais

Algumas pessoas desenvolvem uma tendência a assumir responsabilidade excessiva pelas emoções e pelo bem-estar dos outros.

Se alguém está triste:

“Será que fiz alguma coisa?”

Se alguém está decepcionado:

“Eu deveria ter feito diferente.”

Se alguém está irritado:

“Preciso resolver isso.”

Aos poucos, cria-se uma regra interna:

“Se alguém está mal, eu preciso fazer alguma coisa para corrigir.”

Essa regra pode tornar os relacionamentos extremamente desgastantes.

Culpa e limites

A culpa costuma aparecer com força quando começamos a mudar um padrão.

Imagine alguém que sempre esteve disponível para familiares, amigos ou parceiros.

Em determinado momento, começa a dizer:

“Hoje não consigo.”

É possível que imediatamente apareça:

“Estou sendo egoísta.”

Mas talvez exista uma diferença entre egoísmo e autocuidado.

Egoísmo envolve desconsiderar sistematicamente as necessidades dos outros.

Autocuidado envolve reconhecer que as próprias necessidades também existem.

Por isso, uma pergunta mais útil do que “estou sendo egoísta?” pode ser:

“Estou deixando de considerar o outro ou estou apenas considerando também a mim?”

A culpa pode manter padrões

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, podemos observar como pensamentos e comportamentos se relacionam.

Por exemplo:

Situação: você precisa cancelar um compromisso.

Pensamento: “A pessoa ficará decepcionada e isso significa que fui irresponsável.”

Emoção: culpa.

Comportamento: mantém o compromisso mesmo estando exausta.

Resultado: alívio momentâneo da culpa.

Esse alívio pode reforçar o comportamento.

Na próxima situação, novamente será mais difícil dizer não.

Uma pergunta importante

Quando sentir culpa, experimente diferenciar três coisas:

Responsabilidade: o que realmente depende de mim?

Influência: o que minhas ações podem afetar, mas não controlar?

Responsabilidade do outro: aquilo que pertence à outra pessoa.

Essa diferenciação pode ajudar a diminuir a tendência de carregar responsabilidades que não são suas.

Você não precisa eliminar a culpa para mudar

Um erro comum é esperar:

“Quando eu parar de me sentir culpada, vou conseguir me posicionar.”

Muitas vezes, o processo acontece ao contrário.

Você aprende a agir de acordo com seus valores mesmo sentindo algum desconforto.

Com novas experiências, suas interpretações podem mudar.

Você percebe que dizer "não" não destruiu necessariamente a relação.

Que alguém pode ficar frustrado e continuar gostando de você.

Que descansar não significa ser irresponsável.

E que cuidar de si não precisa significar abandonar os outros.

A culpa pode aparecer durante esse processo.

Mas ela não precisa decidir tudo por você.

Se a culpa interfere constantemente nas suas escolhas, relações ou autoestima, a psicoterapia pode ajudar a compreender de onde esse padrão vem e como ele continua sendo mantido no presente.

Sabrina Ramos Maurer

Psicóloga | Terapia Cognitivo-Comportamental

CRP 07/38112

 


 
 
 

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Sabrina Ramos Maurer

Psicóloga

Credenciais

 

CRP 07/38112

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Especialista em TCC

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