Procrastinação
- Sabrina Ramos Maurer
- há 16 horas
- 2 min de leitura

Por que você adia justamente aquilo que sabe que precisa fazer?
“Eu sei que preciso fazer.”
“Eu sei que vai me prejudicar deixar para depois.”
“Eu até quero fazer.”
Mas você adia.
Abre o celular.
Organiza outra coisa.
Resolve tarefas menores.
Promete que começará mais tarde.
E, quando percebe, o prazo está próximo e a ansiedade aumentou.
A procrastinação costuma ser interpretada como preguiça.
Mas nem sempre é isso.
Procrastinar é também regular emoções
Uma tarefa pode provocar desconforto.
Pode gerar tédio.
Medo de errar.
Perfeccionismo.
Insegurança.
Sensação de incapacidade.
Quando você evita a tarefa, esse desconforto diminui temporariamente.
E é justamente aí que o comportamento pode se fortalecer.
Você sente desconforto → evita → sente alívio.
O cérebro aprende que evitar funciona para reduzir o desconforto naquele momento.
O problema é que a tarefa continua existindo.
O ciclo da procrastinação
Imagine:
“Preciso terminar esse relatório.”
Surge o pensamento:
“Vai dar muito trabalho.”
Você decide fazer depois.
Sente alívio.
Algumas horas passam.
A tarefa continua pendente.
O pensamento muda:
“Agora está tarde demais.”
Surge ansiedade.
Você evita novamente.
Depois aparece culpa:
“Eu nunca consigo fazer nada no prazo.”
A culpa aumenta a percepção de dificuldade.
E o ciclo continua.
Perfeccionismo e procrastinação
Existe uma relação importante entre procrastinação e perfeccionismo.
Se você acredita que precisa fazer algo muito bem, começar pode se tornar ameaçador.
“Preciso fazer perfeito.”
“Não posso errar.”
“Tenho que estar inspirada.”
Essas exigências aumentam o custo emocional de começar.
Então, paradoxalmente, quanto mais importante a tarefa, maior pode ser a vontade de evitá-la.
A solução não é esperar vontade
Um dos maiores problemas da procrastinação é esperar sentir motivação antes de agir.
Muitas vezes, a sequência mais eficiente é diferente:
ação → experiência de progresso → aumento da motivação.
Por isso, começar pequeno pode ser mais útil do que esperar disposição.
Em vez de:
“Hoje vou terminar tudo.”
experimente:
“Vou trabalhar nessa tarefa durante dez minutos.”
O objetivo inicial não precisa ser concluir.
Pode ser apenas começar.
O que observar?
Pergunte:
O que sinto imediatamente antes de procrastinar?
Que pensamento aparece?
O que faço para escapar do desconforto?
O que ganho imediatamente ao adiar?
E o que perco depois?
Estou tentando evitar uma tarefa ou a sensação que a tarefa provoca?
Essa última pergunta pode ser especialmente importante.
Porque, em alguns casos, o problema não é a tarefa em si.
É aquilo que você sente quando pensa nela.
Quando a procrastinação se torna um padrão
Se o adiamento interfere repetidamente no trabalho, estudos, organização da vida ou projetos pessoais, pode ser importante compreender quais mecanismos estão mantendo esse comportamento.
A TCC trabalha com estratégias práticas para identificar pensamentos, emoções e comportamentos envolvidos e construir respostas alternativas.
A mudança não começa necessariamente quando você finalmente sente vontade.
Às vezes, começa quando você aprende a agir mesmo com algum desconforto.
Sabrina Ramos Maurer Psicóloga | Terapia Cognitivo-Comportamental | CRP 07/38112




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